comunicação não violenta

Como ensinar comunicação não violenta na empresa?

A criação de uma clima positivo de trabalho é fundamental para a realidade de qualquer empresa, não é mesmo? Afinal, não basta ter os melhores profissionais em suas funções se, na prática, o ambiente não é satisfatório para todos que estão ali no dia a dia. E essa experiência positiva passa pela forma como é feita a troca de informações, avaliações e opiniões, o que reforça a importância da comunicação não violenta.

Seja qual for o tamanho da sua empresa ou segmento de atuação, a maneira como uma mensagem é levada de um lado a outro é decisiva para o sucesso. Isso não só aumenta a produtividade e a eficiência de uma equipe, como também contribui para a construção de um ambiente em que todos se sentem confortáveis, seguros e respeitados.

Mais do que uma preocupação da área de Recursos Humanos com foco em melhorar a comunicação interna, esse conceito pode afetar inúmeros processos ao longo de toda a cadeia produtiva da empresa. Mas, na prática, do que se trata essa ideia? Como ela surgiu e quais são os benefícios da sua aplicação? E, afinal, como colocá-la em ação dentro das organizações?

Continue a leitura deste artigo e esclareça todas as dúvidas sobre comunicação não violenta!

O que é comunicação não violenta?

A comunicação não violenta — bastante difundida pela sua sigla, CNV — é uma técnica de comunicação baseada em princípios que reduzem discussões e discordâncias mais acaloradas, aumentando a empatia e melhorando a qualidade de vida de todos que fazem parte do ambiente. Trata-se de uma abordagem cada vez mais vista no mercado, marcando a importância do relacionamento interpessoal — o desenvolvimento de soft skills aparece como peça-chave da mediação de conflitos.

A proposta, portanto, é justamente construir um canal de informações mais eficiente e saudável para todas as partes envolvidas. No dia a dia de uma empresa, por exemplo, isso significa evitar constrangimentos, ofensas e agressões verbais. Em um segundo nível, é uma forma de reduzir pequenos conflitos dentro de uma equipe.

A partir da aplicação de técnicas específicas para atender às necessidades de cada etapa de um diálogo, torna-se muito mais fácil alcançar a harmonia no espaço de trabalho, em que a interação é fundamental. A implementação desse conceito contribui para a criação de uma sincronia, colaborando para a maior cooperação entre todos os profissionais de uma equipe.

Quem criou o conceito de comunicação não violenta?

A CNV foi cunhada pelo psicólogo e pesquisador norte-americano Marshall Rosenberg (1934–2015). É uma evolução de conceitos muito presentes nas terapias com o foco no indivíduo. A partir da ampliação desse campo de estudo, foi possível expandir a ideia de uma comunicação mais harmoniosa em ambientes de trabalho, por exemplo.

Segundo Rosenberg, em seu livro Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, considerado a grande referência no assunto, a melhor definição para de CNV surgiu de um comportamento natural do ser humano: dar e receber de forma compassiva.

O que eu quero em minha vida é compaixão, um fluxo entre mim mesmo e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração.

Entendendo esse comportamento, Rosenberg começou a desenvolver esse conceito em que se estabelece um contato muito mais saudável entre as partes. O propósito é conseguir lidar com a opinião dos outros de maneira harmoniosa, mesmo nas situações tensas e complexas, o que é bastante natural dentro do mercado de trabalho.

Quais são a importância e os impactos da comunicação não violenta na empresa?

Mas como a comunicação não violenta impacta a realidade de uma empresa? Quais são os benefícios que ela oferece para os profissionais? E como a companhia pode aproveitar os frutos desse trabalho? Confira os principais aspectos a seguir.

Mais satisfação dos profissionais

Quando se cria um ambiente de trabalho positivo, em que a troca de informações é constante e saudável, é natural que todos os profissionais se sintam muito mais motivados e satisfeitos.

Maior produtividade da equipe

A comunicação não violenta também ajuda a aumentar a produtividade da sua equipe. Em primeiro lugar, os profissionais perdem menos tempo com ações como o retrabalho, já que os diálogos e as trocas são muito mais positivos e naturais. Além disso, todos os processos se tornam mais eficientes, já que cada lado sabe se expressar melhor e entende como tirar o máximo de cada situação.

Retenção dos principais talentos

Consequentemente, todo esse cenário positivo ajuda a manter por perto os principais talentos da sua empresa. A retenção dos colaboradores que atingiram um alto nível de desempenho é um dos grandes benefícios da adoção da comunicação não violenta. Eles se sentem confortáveis e aptos a realizar os seus trabalhos de maneira natural e cativante, motivados em suas funções.

Quais são os pilares da comunicação não violenta?

São quatro os pilares que orientam a melhor aplicação do conceito de comunicação não violenta dentro de uma organização. Confira cada um deles!

1. Observação

Quando se fala em comunicação, é normal pensar na troca de palavras e informações entre duas ou mais pessoas, certo? Mas as comunicações comportamental e visual também são essenciais para criar um diálogo natural, sem muitos ruídos. Por isso, a observação é o primeiro pilar para construir uma relação mais harmônica entre uma equipe.

O objetivo é analisar o contexto em que cada frase, gesto ou texto é apresentado, identificando o que está por trás daquela informação. Estamos falando da maneira de tornar a avaliação ainda mais completa, com redução dos julgamentos que podem acontecer ao não se conectar com a mensagem apresentada. Entender o que o outro lado está fazendo também é muito importante.

Essa observação oferece recursos valiosos para que você consiga interpretar melhor a mensagem recebida. Praticar a análise de contextos e de comportamentos do outro, portanto, é fundamental. Mas isso parte da necessidade de enxergar tudo o que está acontecendo com o seu interlocutor.

2. Sentimento

A partir da observação, é possível determinar quais são os seus sentimentos com a mensagem recebida. A ideia é identificar e expressar todos os sentimentos e entender o que cada um deles gera em você. Determinada atitude deixou você com raiva, medo ou felicidade? Nomear essas emoções contribui não só para o seu trabalho de autoconhecimento, mas para que o interlocutor também entenda a situação.

Afinal, muitas das falhas e ruídos de comunicação acontecem por conta da ausência de alguns elementos importantes na troca de informações. São tópicos que podem estar subentendidos para alguém, mas que ainda não estão nítidos para o outro lado. Quando se analisa e entende o sentimento provocado por uma ação, fica mais fácil eliminar qualquer ruído.

Quando expressamos os nossos sentimentos, é possível assumir responsabilidades por nossa experiência, o que ajuda os outros a ouvir o que é importante para cada um de nós. Tudo isso contribui para que o seu interlocutor passe a responder de uma maneira que seja positiva para os dois lados.

3. Necessidade

Quando você entende os sentimentos causados por uma troca de informações, consegue identificar quais são as suas necessidades. E basicamente, as necessidades são definidas como as experiências que você precisa para superar os seus sentimentos.

Assim, compreender e identificar as suas necessidades ajuda a melhorar o relacionamento consigo, além de facilitar o entendimento do seu interlocutor. O mais importante aqui é identificar quais são as palavras que descrevem o que deve ser feito para atender a essas necessidades, porque isso vai facilitar a conexão entre duas ou mais partes e permitir uma comunicação integral.

Por outro lado, quando uma pessoa não expressa as suas necessidades, torna-se bem mais difícil que o seu interlocutor entenda o que fazer para resolver o problema ou cenário que está incomodando.

4. Pedido

Não basta expressar os seus sentimentos e necessidades, é preciso realizar pedidos. Só que isso não significa somente exigir que os outros façam algo para você: é necessário mostrar o que você precisa para suprir os seus sentimentos. E mais importante: deve explicar como o seu interlocutor pode ajudar. Caso contrário, o outro lado precisaria adivinhar o que é preciso ser feito, certo?

A ideia, portanto, é identificar e expressar uma ação específica que vai ajudar a solucionar a sua demanda. Esse é um dos pilares mais relevantes da comunicação não violenta, já que trata da comunicação direta com quem está do outro lado. O pedido realizado do jeito certo é o que pode resultar em uma conexão natural e relevante para os dois participantes de uma conversa.

Mas é importante entender que os pedidos devem ser acompanhados do entendimento de que a solicitação pode ser negada. Afinal, o pedido pode ainda não ser suficiente para que o outro lado também se sinta satisfeito. Quando se entende que o “não” também é uma possibilidade, fica muito mais fácil se conectar com o outro e encontrar a melhor alternativa para as duas partes envolvidas.

Como a comunicação não violenta se relaciona com a inovação na empresa?

Além de falar sobre empatia e comunicação, adotar essa estratégia em uma empresa contribui para o estímulo à inovação. Mas quais são as razões para que isso aconteça? É isso o que você verá agora.

Mais abertura para novas ideias

Para começar, a aplicação da comunicação não violenta influencia diretamente a forma como os profissionais se sentem no ambiente de trabalho. E isso gera o estímulo para que novas ideias surjam dentro da organização. Afinal, quem vai querer expor os seus sentimentos — especialmente aqueles que fogem do senso comum — em um ambiente negativo?

Caso o gestor sempre lide com agressividade quando uma ideia não tão boa é apresentada, é pouco provável que os colaboradores se sintam confortáveis para compartilhar as suas opiniões, não é mesmo? Isso se torna uma barreira para que a empresa possa evoluir, seja com uma mudança mais simples na rotina de trabalho, seja com uma ideia inovadora.

Quando o clima organizacional é positivo e a troca de informações é feita de maneira saudável, as chances de que novas ideias apareçam são muito maiores. Como as inovações costumam surgir de cenários inusitados, uma comunicação não violenta ajuda a criar um ambiente que esteja aberto para novas sugestões, conceitos e entendimentos, instigando a diversidade de pensamento.

Estímulo à troca de conhecimento

As grandes ideias só vão aparecer dentro de uma empresa se os colaboradores estiverem em sincronia e confortáveis, não é mesmo? Uma comunicação mais saudável também estimula a troca de conhecimento constante entre os profissionais. Áreas e setores diferentes podem conversar com menos ruídos, consolidando uma comunicação direta e natural.

Esse cenário é excelente para uma organização que busca crescer a partir da inovação. Afinal, muitas vezes a dor de um colaborador pode ser solucionada com a ideia de outro. A comunicação não violenta é um convite para que todos os profissionais se sintam confortáveis para deixar as suas opiniões, o que resulta em uma troca de informações relevantes.

Com o compartilhamento de dados, conceitos, estratégias e ideias, a inovação começa a ser plantada no dia a dia da empresa. Um profissional não vai ficar inibido em ir até o gestor de outra equipe para sugerir algo novo ou pedir uma orientação. Essa troca de conhecimento constante e saudável, portanto, também ajuda a sair do lugar-comum em todas as frentes.

Feedbacks e olhares enriquecedores

Outro aspecto muito importante da comunicação não violenta é fazer observações em vez de julgamentos, certo? Na prática, isso significa expressar as opiniões de maneira mais sútil, educada e enriquecedora. Assim, é preciso criar um cenário adequado para construir uma relação em que os feedbacks sejam enriquecedores para todos os profissionais envolvidos no dia a dia da companhia.

Imagine que você chegou até o seu gestor e apresentou uma ideia sobre como melhorar um determinado fluxo de trabalho. A ideia é válida, mas existem pontos que precisam ser aperfeiçoados. Se a postura dele for de uma comunicação não violenta, é muito provável que você retome o seu trabalho em busca de alguma solução para os pontos que ele citou, não é mesmo?

Trocar esses feedbacks e fazer avaliações honestas estimula o desenvolvimento de cada profissional. Assim, ideias que ainda não estão completamente prontas para serem aplicadas, por exemplo, podem ser melhoradas, garantindo que nenhum pensamento seja descartado. Esse incentivo ao feedback construtivo é outro ponto relevante para a inovação.

Como ensinar a comunicação não violenta aos colaboradores da empresa?

Os benefícios de uma comunicação não violenta são muitos, não é mesmo? Mas qualquer mudança significativa na cultura de uma empresa exige um trabalho mais aprofundado, certo? O que fazer, então, para colocar esse conceito em prática na sua organização? Listamos algumas dicas práticas. Confira!

Estimular gestores e líderes a abraçar a ideia

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que uma mudança tão grande na cultura de uma empresa necessita do apoio, suporte e engajamento de gestores e líderes da companhia. Sem isso, é muito improvável que a comunicação não violenta funcione como o esperado, especialmente no longo prazo.

Afinal, os colaboradores vão, aos poucos, se sentindo inibidos, deixando de sugerir ideias, apresentar novas estratégias ou compartilhar as suas opiniões. Quando os principais líderes da companhia entendem a importância desse conceito e o colocam em ação, fica muito mais fácil de implementar a comunicação não violenta na empresa.

Um chefe que está aberto ao diálogo, respeita os seus profissionais e sabe ouvir feedbacks cria um ambiente propício para a troca regular de informações relevantes entre os profissionais. Dessa forma, o principal objetivo da equipe e dos gestores de Recursos Humanos deve ser identificar as lideranças e atuar diretamente com elas para conseguir os resultados esperados.

Explicar a diferença entre pedidos e exigências

Um ponto importante da comunicação não violenta é a forma como são feitos os pedidos. Lembra que falamos sobre como cada um dos pilares — observação, sentimento, necessidade e pedido — se conecta ao outro? Ao final, a ideia é que seja feito um pedido, como uma melhora em uma apresentação ou uma mudança de comportamento, não é mesmo?

Mas para que isso tenha a eficiência esperada, é preciso que todos os profissionais compreendam a diferença entre um pedido e uma exigência. Afinal, como prega o criador do conceito, é necessário solicitar uma ação ou atitude sem a expectativa de que a resposta sempre vai ser positiva. Aguardar e aprender a lidar com o “não” é justamente o que diferencia pedidos e exigências.

A proposta é conseguir fazer com que todos os lados sejam ouvidos e respeitados, aumentando as chances de que a troca de informações seja, de fato, eficiente para o fluxo que foi estabelecido. A partir do momento que os profissionais entendem esse conceito, os outros pilares se tornam mais simples de compreender e colocar em prática.

Treinamentos e capacitações sobre inteligência emocional

Também é responsabilidade do time de Recursos Humanos oferecer o suporte constante para que os colaboradores se capacitem sobre a importância e todas as práticas necessárias para a aplicação da comunicação não violenta. A realização de treinamentos e cursos, por exemplo, é fundamental para que o conceito seja realmente incorporado na rotina de trabalho da empresa.

Afinal, é necessário reforçar e renovar essas práticas constantemente, o que exige um trabalho de longo prazo, identificando as características dos colaboradores e mesmo como eles lidam com as questões envolvendo a comunicação. Somente a partir desse apoio é que se torna possível colocar a comunicação não violenta em prática e aproveitar todos os benefícios.

Os treinamentos e as capacitações nem sempre precisam ser totalmente relacionados com a comunicação não violenta. Trabalhar a inteligência emocional no trabalho, por exemplo, pode ser muito interessante, ajudando a construir essa relação mais saudável no espaço. Ao mesmo tempo, líderes e gestores podem realizar cursos que os ajudem a liderar pessoas de diferentes gerações.

Avaliação constante da aplicação da comunicação não violenta

Em vez de avaliar um profissional apenas pelas suas tarefas e responsabilidades principais, a equipe de RH deve incluir a forma de comunicação como um dos pontos a serem analisados. Não basta se sair bem na sua função, é preciso garantir que a relação com os outros profissionais também seja positiva, não é mesmo?

Como a comunicação não violenta é um desafio para as empresas e nenhuma mudança vai acontecer do dia para a noite, é fundamental que a equipe que esteja atuando no projeto acompanhe regularmente essa evolução. Para que isso aconteça, é necessário estipular mecanismos que ajudem a monitorar e avaliar o engajamento dos profissionais e a aplicação prática do conceito no dia a dia da empresa.

Investir no aprendizado e no desenvolvimento de colaboradores que entendam a importância da comunicação não violenta é fundamental para as empresas que desejam se posicionar como referências em seus segmentos. Mais do que uma visão externa, trata-se de um conceito que pode fazer a diferença nos resultados obtidos por uma companhia, especialmente os de longo prazo.

Agora que você entendeu sobre o que é comunicação não violenta e sabe como aplicá-la na empresa, que tal continuar se informando sobre mais assuntos relevantes para sua equipe de RH? Siga as nossas páginas nas redes sociais: Facebook, Instagram, LinkedIn e YouTube!

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