Saúde mental no trabalho: por que levar a sério.

Saúde mental no trabalho: por que levar a sério.

Qual é a importância de se investir na saúde mental no ambiente de trabalho? Confira estratégias que o setor de Recursos Humanos pode adotar para melhorar a vida dos colaboradores

Basta uma rápida pesquisa sobre os assuntos que estão em ampla discussão no mercado profissional e você verá que a saúde do trabalho, principalmente a mental, é um deles. O motivo? Esse é um aspecto que afeta não apenas a vida pessoal dos colaboradores, mas, também, a profissional.

Sem a devida atenção, a falta de bem-estar pode interferir na capacidade de assumir responsabilidades e cumprir metas, no engajamento com os compromissos da empresa, nos relacionamentos interpessoais e muito mais. Diante disso, entender quais são as ações para garantir uma boa saúde mental do trabalhador é fundamental.

Por essa razão, preparamos um post que vai ajudar você a se aprofundar no assunto. Continue lendo e saiba mais!

O que é saúde mental no trabalho?

O conceito de saúde mental no trabalho está relacionado ao bem-estar psicológico dos colaboradores no ambiente profissional e engloba vários aspectos, como estresse, pressão e outras situações. Entenda mais sobre esse termo, a seguir.

Influência da saúde mental

Além de ter um peso grande para o funcionamento e o desenvolvimento do nosso organismo ao longo da vida, a saúde mental também é responsável por influenciar a forma como:

  • nos comunicamos com os demais;
  • nos integramos a locais diferentes;
  • lidamos com obrigações, prazos e projetos;
  • respondemos aos momentos de conflito e crise;
  • enfrentamos os imprevistos da rotina;
  • nos preparamos para ter disposição e proatividade ao longo do dia;
  • nos sentimos realizados com as atividades que realizamos;
  • planejamos novas conquistas a serem alcançadas.

A grande questão é que a saúde mental no trabalho sempre foi vista como algo a ser abordado apenas dentro de instituições como hospitais e clínicas. Ou seja, estaria relacionada quase que exclusivamente àqueles que sofrem muita pressão por lidarem diariamente com a vida de outras pessoas, mas isso está mudando.

Impactos dos problemas de saúde mental para o trabalho

Os últimos anos vieram para mostrar que esse é um assunto que também deve ser abordado, debatido e frisado nas organizações. Afinal, vários episódios que acontecem dentro do ambiente de atuação, ou durante o convívio com os demais funcionários, acabam afetando o equilíbrio emocional e psicológico de muitas pessoas.

O resultado disso é visto não só no baixo desempenho dos colaboradores, mas no desenvolvimento de transtornos mentais. Problemas que impactam a saúde física e, consequentemente, tiram a qualidade de vida.

Dependendo da gravidade, o problema da saúde mental no trabalho pode incapacitar o profissional e impossibilitar que ele continue com a carreira, até se tratar adequadamente. Diante disso, a empresa também sai perdendo. Vamos conferir alguns dos impactos dos problemas de saúde mental no trabalho:

  • número crescente de funcionários afastados ou desligados, o que requer uma reestruturação dos setores nos quais eles atuam para que os serviços não sejam impactados ou, até mesmo, paralisados;
  • maior demanda por novos processos seletivos para preencher as vagas que ficaram em aberto com a saída de outros colaboradores;
  • surgimento de processos trabalhistas por conta dos episódios que desencadearam os transtornos mentais;
  • geração de uma imagem negativa no mercado, o que faz com que a companhia seja conhecida como um local com péssimas condições de trabalho.

O resultado desse panorama é visto não só no baixo desempenho da empresa, mas no desenvolvimento de transtornos mentais. Problemas que impactam a saúde física e, consequentemente, tiram a qualidade de vida.

Quais são os problemas que prejudicam a saúde mental do trabalhador dentro e fora da empresa?

Há uma grande variedade de transtornos mentais que afetam os colaboradores. Entre eles, podemos destacar 4, conforme artigo da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

Os motivos? Tanto pela recorrência com a qual aparecem quanto pela gravidade que têm — o que leva as pessoas ao afastamento temporário ou por tempo indeterminado. A seguir, você fica sabendo mais detalhes deles.

Depressão

A depressão é um dos transtornos mentais mais presentes na nossa realidade. Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 38% das licenças médicas no país são devido a quadros de depressão.

Esse problema está relacionado a uma constante irritação, perda da autoestima, humor continuamente para baixo, redução da capacidade de lidar com atividades que requerem esforço físico e mental e pensamentos de inferioridade e inutilidade. Muitos também apresentam ideação suicida — isto é, pensam e imaginam situações nas quais atentariam contra a própria vida.

Ansiedade

Segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Saúde, 63% dos trabalhadores brasileiros têm quadro de ansiedade alta. Esse problema pode se manifestar de diferentes formas.

A mais comum é a generalizada, quando a pessoa fica imersa em um ciclo constante de preocupações, medos e paranoias que surgem pelas mais diferentes causas. Por exemplo, pode ser a dificuldade com um prazo, a cobrança de um supervisor ou a avaliação dos colegas da equipe.

Por conta disso, surgem diferentes sintomas físicos e emocionais que atrapalham o dia a dia. É o caso de fadiga mental, dores de barriga, sudorese intensa, insônia, compulsão alimentar, humor constantemente irritado, entre outros.

Transtorno do pânico

O transtorno de pânico refere-se a um quadro constante de ataques de pânico vivenciados na rotina. Esses episódios acontecem, geralmente, após algum gatilho de ansiedade, pressão ou estresse, deixando a pessoa com falta de ar, sensação de aperto no peito, enjoos, sensação de desmaio e formigamento nos membros.

Acompanhar os funcionários e oferecer suporte para evitar quadros de ansiedade que levem a esse tipo de síndrome é fundamental. Esse cuidado pode proteger os colaboradores da sua empresa e garantir mais qualidade de vida no trabalho.

Síndrome de Burnout

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo revelou que 25% dos brasileiros sofrem com essa síndrome. Apesar de ser um transtorno ainda recente, esse problema diretamente relacionado ao trabalho merece muita atenção por parte da empresa.

Isso porque o Burnout, como também é chamado, surge a partir de várias situações de estresse (frequente e crescente) no emprego, fazendo com que a pessoa se desgaste muito rápido, fique com os nervos à flor da pele e não consiga mais assumir tarefas.

Como o ambiente de trabalho influencia na saúde mental do trabalhador?

Com todas as estatísticas apresentadas, adotar medidas para garantir proteção à saúde mental no trabalho é muito importante. Os episódios ruins que podem ocorrer no ambiente profissional, como já mencionamos no primeiro tópico, têm o potencial de se tornarem gatilhos mentais negativos.

Nesse sentido, é preciso ter atenção com situações de sobrecarga de trabalho, atividades estressantes, cobranças excessivas (por metas e resultados), isolamento social, preconceito e discriminação. Esse tipo de situação tende a atrapalhar a saúde mental do trabalhador e agravar problemas mentais já mencionados

Qual é a importância da saúde mental do trabalhador?

Quando os trabalhadores apresentam boa saúde mental, estão mais motivados, produtivos e capazes de lidar com desafios no ambiente de trabalho. Por exemplo, um funcionário que se sente apoiado, valorizado e livre de estresse excessivo tem mais probabilidade de ser produtivo e colaborativo.

Em contrapartida, um trabalhador que sofre de problemas de saúde mental, como ansiedade ou depressão, pode enfrentar dificuldades para cumprir suas tarefas e contribuir efetivamente para a organização, o que pode resultar em absenteísmo, alta rotatividade e redução da qualidade do trabalho.

Como falar sobre saúde mental no trabalho?

O RH pode adotar algumas ações, tanto recorrentes quanto sazonais, para falar sobre a saúde mental do trabalhador e a importância de não negligenciar esse assunto. Por exemplo, no primeiro grupo, dá para realizar reuniões quinzenais com as equipes de cada setor para promover atividades interativas com foco na redução do estresse e da ansiedade gerados na rotina laboral.

Durante esses momentos, também é interessante que ocorram rodas de grupo para se discutir suas dificuldades, ações de melhoria e medidas de intervenção para aumentar o bem-estar no trabalho. Já nas ações sazonais, os profissionais de recursos humanos podem investir em campanhas psicoeducativas, como a do Setembro Amarelo.

Para tanto, durante esse mês em específico, podem ocorrer oficinas, palestras e até mesmo workshops que explicam sobre transtornos mentais, a importância do tratamento e quais são os fatores de risco para essa condição. Além disso, é importante deixar claro quais são as novas políticas internas para auxiliar os colaboradores nesse quesito. 

Quais ações a empresa pode promover para ajudar o colaborador?

A fim de criar um movimento em favor da saúde mental no ambiente de trabalho, é essencial ajustar alguns aspectos dentro da própria cultura organizacional. Veja, a seguir, alguns exemplos de como isso pode ser feito na prática:

  • suporte psicológico — formação de equipes com psicólogos organizacionais disponíveis para sessões dentro da própria instituição. Ou seja, para prestar escuta qualificada para aqueles que se veem diante de crises emocionais, episódios agudos de estresse ou que estão angustiados e preocupados quanto ao emprego;
  • benefícios — oferta de benefícios flexíveis voltados para o lazer, o acesso à cultura e a promoção do entretenimento — isto é, atividades que geram momentos de ócio, diversão e desconexão dos colaboradores com a rotina de trabalho;
  • desenvolvimento pessoal — programas de bem-estar corporativo que estimulem os funcionários a descobrirem e praticar algum hobby, a realizarem atividades físicas, a aprenderem um novo idioma ou habilidade ou terem contato com pets nas instalações da empresa — animais que exercem o papel de assistência emocional;
  • flexibilidade — adaptações na jornada de trabalho que ajudem a trazer mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Por exemplo, carga horária ajustável, realização de tarefas de forma remota, atividades em meio período e licenças para quem precisa se afastar por motivos pessoais ou familiares do emprego;
  • conscientização — divulgação de serviços psicológicos externos que atendem gratuitamente, em parceria com a organização ou com custo reduzido.

Como preservar a saúde mental no trabalho?

O departamento de Recursos Humanos pode adotar algumas intervenções para preservar a saúde mental dos trabalhadores, tanto em curto quanto em longo prazo. Para tanto, é possível ter um cronograma anual de levantamentos, tanto individuais, quanto coletivos. Algumas informações importantes de se coletar são:

  • as condições de trabalho dessas pessoas e o que elas consideram que pode ser melhorado ou adaptado;
  • os fatores motivacionais que mantêm os profissionais na organização;
  • as ações afirmativas que aumentariam o processo de inclusão, respeito e apoio à diversidade no ambiente corporativo;
  • os projetos de cuidados integrais com a saúde, como consultas e exames de rotina, que podem ser promovidos conforme o perfil dos funcionários;
  • os incentivos, para além da política de remuneração, que fariam a diferença na carreira deles;
  • as atividades de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que ajudariam os trabalhadores a planejarem — ou mesmo reformularem — a carreira e como a empresa pode auxiliá-los nessa jornada.

Dar atenção à saúde mental dentro do ambiente corporativo não se trata apenas de estar alinhado com as mudanças do mercado de trabalho, mas de investir no principal alicerce de qualquer empresa: os seus colaboradores.

Afinal, quando a sua equipe é respeitada e valorizada, há um retorno direto, como maior produtividade, engajamento com o clima organizacional da companhia e realização profissional com a carreira. Ou seja, aspectos que aumentam a retenção de talentos e tornam a instituição uma referência no seu meio, especialmente ao preservar a saúde do trabalho.

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